terça-feira, 21 de outubro de 2008

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João conheceu Graça foi numa festa do Divino Espírito Santo. Ela, que era a mulher de derrubar o mastro. O golpe certeiro por Graça desferido, atiçou o coração de João. Modo de dizer, foi é que o machado da Graça acelerou o movimento do coração do João. O sangue pulsou logo para a ação e João segurou o braço da Graça- “Tome tento, mulher, que o mastro cai é de uma vez!”. Mas Graça fez como se nem ouvir ouvisse e desferiu outro golpe, desta vez passando bem perto da perna do João, que o fez até saltar de banda.
O amor tem destes percalços. Age vezes como briga de galo. Age como o tango da Argentina. O amor navega em rios turbulentos, sabemos nada de sua profundidade, e os barcos entram e saem, sem saber por onde estão passando, o profundo de tudo aquilo. O amor só tem sossego na ignorância, que faz a gente confiar no comandante do barco e poder aproveitar a viagem. João, motivos escusos, tinha a pertinência do navegador, que se exalta em mares difíceis. Graça era mar difícil. João se apaixonou.
Fácil não foi para conquistar Graça, que era mais de querer o bem-viver da liberdade. Graça gostava era de brincar de imaginar e agir para os outros como se ela, momentos, fosse não-ela. Como se ela fosse uma coisa que ela não era essa coisa, tipo a mulher do prefeito, ou a enfermeira do posto de saúde, ou as irmãs da igreja, ou a professora da escola.

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