quarta-feira, 22 de outubro de 2008

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Mas de tento ela se fazia. Graça de nome e de forma. Eram aqueles tempos de quem se sabe homem, sabe também o que deve fazer. João passava o dia no roçado, menino-homem. Quieto de se comportar, mas relampioso por dentro. O terçado brocava com a força que pensava em Graça. Em tanto que seu pai, o Joca, o Aristeu e o Zé Canela andavam a dizer que o serviço estava danado de bom aqueles dias. Que o Jãozinho tava era com o capeta de tanta energia.
Mas João estava era decifrando. Sua ação referia a intensidade do modo do seu entender do mundo. E ele custava a entender a alma da Graça- que era que ela queria com aquele jeito de se mostrar para ele, que lhe fervia o sangue? Este sangue que fervia era por vontade de se deitar com ela e não parar de beijar nunca mais, como aquilo para o sempre. Disto ele sabia. Mas o ruim era fazer deste sentido forma de coragem para abordar Graça mais uma vez, depois daquele vivido na festa do Divino.
Em se incomodar, por travados tempos, João buscava era modo de se desentender daquele embronho de sentimentos e de agir onde o certo tava já por dito e feito. Bem fazia ele então no campo de futebol, com o seu jeito próprio de driblar, driblar o próprio seu de lembrar sem descanso daquelas formas perfeitas da Graça. Boa ação era esta sua, que fazia mesmo de esquecer, quando o corpo falava no lugar do pensamento. O igarapé era bom lugar de nado e descanso. Donde se mirava o belo do mato e o chiar das cigarras. O braço do rio que curvava e agarrava os troncos descidos de riba, de árvore morrida ou matada de gente de comércio.

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