quinta-feira, 23 de outubro de 2008

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Quedado, meio ladino, João era privativo no seu entender. Quase de todas belas coisas ele sabia e podia ter para si. Como sabia dos traços do mato que levam ao barranco do Miriti Seco, que de lá se avista toda a Floresta Nacional. Como sabia do sabor agridoce do pequiá, ou da bacaba, ou da estranheza do gosto da carne do cacau, que se arranca toda prisão de ventre. Como sabe do cheiro da folha deste mesmo cacau, ganhando de muito dos melhores perfumes que os gringos podem trazer dos mundos de fora. Mas, sombreado nesta hora pelo pé da Samaúma, João recentia não poder ter em suas mãos a pele fina e branquiça de Graça.
O homem estava era rijo do seu existir, como momentos ficamos, no mais quando não estamos completos. Se a coisa que falta é ela mesma que pensamos, duvide, que a mente é feita de enganos. Seria a Graça que, ela mesma, era que faltava, ou a forma de outra mulher serviria de alento ao desejo inquieto de João. Ora, era isso! Homem certo, tá decidido. Ele iria era avançar seus requintes para as bandas de outra formosa. Que o mato é sábio, sim senhor. E ele traz todas as respostas que pedimos. Muito das vezes de formas obtusas, num intervalo dum pensamento, ou no brinde de um esquecimento.
Foi que, no miúdo dos dias, o homem prescrutou, como quem de faca em punho adentra os meandros da terra atrás do que comer. Afinou tato e olfato, atento ao primeiro sentido de instinto, ou rabicho de sem-vergonhice que lhe de certo se apresentasse. Juntou então Zé Canela, que para estes tempos era de sua grande estima, mas que para diante outras histórias virão, e decidiu conhecer as casas do meretrício da distante cidade grande, para ele ainda terreno desconhecido e de inspirar espanto, dado de não ser do acostumado do seu andar.

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