quinta-feira, 23 de outubro de 2008

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Graça Tereza de Andrade, nome seu de batismo. Fruta de geração terceira da colonização portuguesa, de cá destas terras. Rosto forma de ternura, daquela que de certo enfrentou bravos mares para aqui se misturar. Mantida intacta, na força do olhar de um negrume profundo, imitado dos rios. E dos cabelos, grossos, lisos, pretos, longos, guarda o proveniente do mato, do esculpido lento por milhares de anos nesta gente daqui nativa. Com os olhos assim puxados, modo de uma inteligência aguda, mais é se assemelha com a feição do povo do oriente, mas com a pele alva, presente de Portugal.
O homem corre sérios riscos, sabe bem quem está atento. Olhar Graça é passar de relance, assim, meio na beira do abismo. Que o forte de seu ser eleva a gente numas alturas que num dá não, vontade dá é de descer rapidinho, ou pulando, ou escorando em tudo que se vê pela frente. Feitiço desse é que fez muitos homens passarem por longe desta cabocla. Pois quem se atreve, e se embrenha nos seus encantos, pé firme deve de ter, sabido de retornar. Pois que poucos destes homens tiveram, que ousaram provar da sua beleza. Fato é que Graça cresceu de forma sozinha, afastada do mundo do amor, mais é achando o conforto do satisfeito no mundo deste das festas de santo, onde passava os dias trabalhando na costura das vestimentas e no ensaio das músicas, das danças e dos rituais.
Vista disto, foi que pouca fé a Graça tinha no aparecer de parceiro seu. Tratava os moços com desdém, não tinha pena não. Que forte teria que ser o homem que com ela pudesse conviver. Pois que pouco do seu jeito ela mudava. Baixava era nada os seus encantos, danada de dançar tão linda, rodando as saias, cantando as ladainhas no centro das rodas e deixando mole para mulher nenhuma, não. Era mais que a roda se abria para ela entrar, era mais que todos sabiam que na roda ela podia brilhar, que lá a ameaça era pouca, pois que sua poesia e talento era tanto, que o mundo do desejo ficava era de fora do giramundo.

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