segunda-feira, 20 de outubro de 2008

João Quinlhão aos poucos....

Assim como que veio estourando, cuspindo fogo. Levantava folhas, que era tudo do chão. O barulho foi tanto, de guariba em bando, dos berros da queixada na beira da morte, de trovão e tambor. E, repente, assobiou o silêncio e o tempo inteiro, suspensos bichos da terra e do ar, cavaram seu olhar no assunto que se desenhou no pé das árvores.
João Quinlhão correu para ver, tonto do estrondo, força que veio dele, tentado de agir e reconhecer o que tinha lá, o sucedido. E era um tanto de ferro, no embrenho do mato, forma de pontas que davam para todo o lado. E que nunca ele tinha visto isto. Ficou de espreita, momentos de longe.
Dado do curioso, que fazemos o impensável, sem saber o quê. Mas Quinlhão, que já sofreu de armadilhas muitas, temeu de chegar mais perto. E pensou profundo neste esperar. Senhor de si, que lá conhece cada igarapé e capoeira, ele pode se largar no mato adentro, trilhando semanas inteiras, que não se perde. Fato foi que examinou de primeiro, espera de agir.

Um comentário:

.AM disse...

Um dia, porém, sentia seu corpo aberto e fino, e no fundo uma serenidade que não se podia conter, ora se desconhecendo, ora respirando trêmulo de alegria, as coisas incompletas. Ele mesmo insone como luz — esgazeado, fugaz, vazio, mas no íntimo um ardor que era vontade de guiar-se a uma só coisa, um interesse que fazia o coração acelerar-se sem ritmo... de súbito, como era vago viver. Tudo isso também poderia passar, a noite caindo repentinamente, a escuridão fresca sobre o dia morno.